Gaudenio Santiago

FOTO: Aurélio Alves/O POVO

A inteligência artificial (IA) é uma área da computação que atua no desenvolvimento de sistemas que buscam a criação de máquinas inteligentes cognitivas que aprendem de forma semelhante a uma pessoa. O fascínio pela busca de sistemas autônomos e inteligentes ocorre desde o ano de 1769, quando o barão Wolfgang von Kempelen criou a primeira máquina de xadrez inteligente batizada como “O Turco”.

Apesar da sua engenhoca ter sido uma farsa, foi o blefe mais influente de toda história da ciência, sendo o “O Turco” considerado o avô da máquina inteligente “Deep Blue”, que derrotou o campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, em 1997. Desde 2000, houve avanço significativo da IA em razão do aumento da capacidade computacional, a qual consiste nesta rede que temos hoje de informações conectadas, estruturadas e organizadas através das nuvens de informação.

Em 2011, a IBM criou uma plataforma cognitiva inteligente chamada “Watson”, que participou do programa de perguntas e respostas da TV americana, chamado “Jeopardy”, sendo o vencedor do programa. Na época, a versão do Watson apenas conseguia ler textos e responder perguntas. Hoje, já possui diferentes serviços como: reconhecimento e análise de vídeos, imagem, interação por voz, leitura de grandes volumes de textos; tudo disponível em nuvem – portanto não se trata de mero supercomputador, robô ou hardware de grandes proporções, mas sim de uma plataforma, como destacamos anteriormente.

A IA já é uma realidade para a otimização da eficiência, redução de custos e aumento de produtividade. Assim, com a capacidade de aprendizagem da máquina, a interação entre homem e máquina será uma verdadeira simbiose que trará muitos benefícios para a profissão da advocacia. Devemos enxergar oportunidades com a chegada da IA, ao invés de ameaças, assim excluiremos a competição com máquinas inteligentes, que se utilizam de nuvens espessas de informações, e adotaremos a colaboração entre homem e máquina.

Em se tratando do benefício trazido pela IA o mercado da advocacia tornar-se-á ainda mais dinâmico, possibilitando ao advogado criar ou potencializar as seguintes habilidades: criatividade, empatia, comunicação, relacionamento, persuasão, resiliência, capacidade de adaptação a mudanças, flexibilidade, empreendedorismo e colaboração. As ferramentas de automação, inicialmente, estão sendo destinadas para tarefas cotidianas e repetitivas de um escritório de advocacia. O trabalho diário de cadastrar clientes, gerar relatórios, analisar documentos, pesquisar jurisprudência, acessar e organizar a legislação, dentre outros serão realizados por essas ferramentas.

Em um exercício de futurologia, uma das atividades a ser desempenhada pela IA é a leitura de intimações e a distribuição de prazos para os advogados do escritório, inclusive sugerindo a ação que o profissional deve tomar para o respectivo caso jurídico e gerando relatórios de indicadores de produtividade dos advogados. Atualmente, essa função é desenvolvida por juristas contratados especificamente por grandes bancas que tenham instalado o departamento de controladoria jurídica. Observe-se mais uma vez, que esse tipo de atividade repetitiva começa a ser alcançada pela IA. Logo, a controladoria jurídica poderá ser uma atribuição a ser desenvolvida exclusivamente pela máquina, dispensando a contratação de advogado para este fim.

Outra novidade vai ser o arquivamento de toda a legislação, jurisprudência, precedentes, citações, doutrinas e informações no mundo jurídico atualizadas de forma instantânea, que serão relacionadas e estruturadas para dar mais qualidade nas petições dos advogados, inclusive informando os riscos que o cliente pode encontrar de acordo com os entendimentos dos Tribunais.

A partir de agora, com a entrada da IA, é imperiosa a realidade de obsolescência de advogados sem diferenciais no mercado, bem como daqueles que não mantenham um relacionamento de excelência com seus clientes. Novos ramos do direito irão surgir, assim como novas formas de atuar com as necessidades do mercado.

O advogado terá mais tempo para buscar clientes, pensar estrategicamente e aperfeiçoar-se na sua profissão,eximindo-se de tarefas repetitivas e trabalhando ainda mais com a criatividade. A ligação entre o homem e a máquina nos trará um futuro bastante otimista no que concerne à celeridade e à praticidade,tornando o crescimento aperfeiçoado da advocacia cada vez mais exponencial. Os advogados do futuro serão bemdiferentes daquilo que nós conhecemos. Certamente em menor número e muito mais eficientes e eficazes.