Sônia Cavalcante

Aurélio Alves/O POVO

Atuando no júri criminal há 23 anos, a advogada Sônia Cavalcante lembra o primeiro momento que a fez sentir a emoção de advogar pela primeira vez. A paixão iniciada ainda quando jovem, permanece nos dias de hoje. “Foi na inauguração do Tribunal do Júri da Unifor. Fui fazer um júri sob a presidência da dra. Sergia Miranda e o representante do Ministério Público à época o dr. Francisco Marques. Foi um dos momentos mais marcantes na minha história de advogada, foi o pontapé inicial que me deu coragem para enfrentar todos os obstáculos profissionais que a vida nos proporciona de quando em quando”, relembra.

Formada pela Universidade de Fortaleza (Unifor), a profissional atua em seu escritório particular e como ouvidora do Hospital e Maternidade Drª Zilda Arns Neumann (Hospital da Mulher). Cavalcante conta que o maior motivo para abraçar a profissão é saber que tem “conhecimento jurídico para tentar dar a liberdade àquelas pessoas que, por mais difícil que seja o cometimento do seu delito, merecem uma chance de defesa, pois sem liberdade não há história de vida”.

A inspiração pelo júri veio ainda quando acadêmica e estagiária do curso de Direito, ao lado do “grande tribuna e defensor público Dr. Hélio Gomes”, hoje aposentado. Auxiliando na 2ª vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do dr. Bezerra, foi motivada pela oratória e ensinamentos do mestre. Bebeu da fonte também das experimentações jurídicas do advogado criminalista dr. Francisco Antonio Eugênio Viana, que a conduziu nos primeiros passos e incentivou a subir em uma tribuna do júri.

“Daí tirei a conclusão que a advocacia criminal era sim o meu ideal.  Principalmente, por ser mulher, pois quis mostrar à sociedade a importância da mulher na advocacia criminal e, mais ainda, no tribunal do júri, que é raridade, onde podemos mostrar a verdadeira arte de advogar, defendendo nossos pares”, relata Sônia.

Esses dois “grandes profissionais do júri”, conta, oxigenaram a alma dela ao ponto de saber, a cada dia, o desejo pela advocacia criminal. Sônia Cavalcante vê o Direito como “algo essencial à vida das pessoas em sociedade, por regular as relações humanas e buscar o equilíbrio das partes de maneira digna e ética”.

Nas horas vagas, fora da rotina profissional, a advogada costuma cantar em coral, apreciar a natureza, consumir informação e ouvir música. É pelo raciocínio de Rui Barbosa que Sônia enfatiza que “a palavra é um instrumento irresistível de conquista da liberdade”. A advogada é mãe de Mara Robertha Cavalcante Melo e Thalles Diego Cavalcante Melo.